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terça-feira, 5 de março de 2013

MÚSICA EVANGÉLICA: POR QUE SE CANTA CADA VEZ MENOS SOBRE O CÉU?



Lembro-me com muita alegria do dia em que entrei pela primeira vez numa igreja evangélica, evento que ocorreu poucos dias após minha conversão. As primeiras impressões, os primeiros contatos, as primeiras sensações, os primeiros sons... A primeira música (ou hino, como queiram) que me encantou, etc. Sim, a primeira vez que uma música que não fazia parte do meu repertório de preferências – bem limitado, por não ser uma pessoas tão dada à musica assim – foi uma canção um tanto quanto melancólica da Harpa Cristã. Trata-se de “O Exilado”, que no hinário citado leva o número 36.

Embora o ritmo e a letra soassem bem estranhos ao meu limitado gosto, eles não fizeram tanta diferença assim, pois o que me prendeu mesmo foi uma espécie de Déjà vu, aquela sensação confusa do tipo “eu já estive aqui”. Mas, muito mais que a sensação de já ter estado ali, no meio das pessoas ou no templo, o que me cativou foi algo muito maior. Pela primeira vez senti a gostosura que é a atmosfera celestial tomando conta do ambiente de culto, quando corações se juntam em verdadeira adoração. Isto, num primeiro momento, foi decisivo para quem se sentia tão vazio, chegando de uma longa e intensa busca de respostas para inúmeras perguntas originadas numa crise existencial (leia-se espiritual), com a qual convivi desde a adolescência.

Lembro-me que alguém esticou o braço na minha direção para que acompanhasse naquele “livrinho de cânticos” a letra de “O Exilado”. Porém, meu pensamento pendia para aquela sensação sobrenatural, que fazia meu coração bater de uma maneira diferente, que despertava emoções que jamais havia deixado que se exteriorizassem – um misto de vontade de chorar, com desejo de rir e gritar de alegria – o que foi difícil conter.

A primeira estrofe reverberou na minha cabeça dias e dias seguidos. Ali, frases que falam do anelo pelo céu, em contraste com os prazeres fúteis do mundo, explodiram na minha alma já nas primeiras linhas:

“Da linda pátria estou bem longe;
Cansado estou;
Eu tenho de Jesus saudade,
Oh, quando é que eu vou?
Passarinhos, belas flores,
Querem m’encantar;
São vãos terrestres esplendores,
Mas contemplo o meu lar.”

De lá pra cá, muita coisa mudou na música evangélica. Parece que aos poucos o céu, ou as realidades eternas vão deixando de ocupar lugar de importância nas composições das letras. Vejo isto com tristeza, e penso que se minha conversão tivesse ocorrido nos dias atuais, talvez ouvisse apenas cânticos que falam de prosperidade, de bênçãos materiais, de conquistas terrenais, etc., e teria perdido aquele “instante de eternidade” que marcou minha vida de uma vez por todas!

Diante do exposto, quero terminar com um apelo aos ministros de louvor, ao pessoal que canta nas igrejas: Por favor, não se encantem com os “passarinhos e belas flores”, cantem mais sobre a “linda pátria” e sobre o eterno “lar”! Tragam de volta aos nossos cultos composições que fazem a gente se sentir no céu, ainda que por uns instantes!

- pr Aécio -

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