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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

COISAS DE IGREJA EVANGÉLICA


Todo ano (o ano todo) milhares de crentes trocam e "destrocam" de igreja. É um vai e vem, um frenesi até certo ponto normal e, guardadas as devidas proporções, necessário. Confesso que foi difícil, mas com o tempo aprendi a lidar com isso. Nessas ondas, tem muita gente honesta, pessoas bacanas, legais e super confiáveis - conheço e convivo com um bocado. Seria injusto não dizer que são crentes sinceros, cristãos de verdade com motivos razoáveis de sobra pra mudar de igreja, comunidade, etc., mesmo. Há casos mais que justos como mudança de bairro e tal; algum desconforto com a visão do ministério ou denominação anterior; algum desacordo com pessoas ou grupos, etc. Agora, minha gente, cá entre nós: difícil mesmo é separar o joio do trigo - às vezes tarefa i-m-p-o-s-s-í-v-e-l!

No bolo desses movimentos de vai e vem tem cada enrosco. Cada "causo" mal contado, cada história pra boi dormir, cada rolo que "só Jesus na causa" (kkkk)... Tem gente querendo se esconder de situações que envolvem pecados; tem insubmissos fugindo de uma bela disciplina ou correção; tem outros que vivem peregrinando em busca de obter alguma vantagem aqui ou ali; tem alguns que simplesmente querem sugar um pouquinho da ingenuidade e da boa vontade dos pastores ou líderes pra depois seguirem seus intermináveis caminhos de desventuras e por aí vai ... Meu Deus! Quanto igrejeiro sem noção, hein?!

"Porque há muitos desordenados, faladores, vãos e enganadores ..." - Tito 1.10

-pr Aécio -

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

ESTÃO ME PERGUNTANDO O QUE ACHO DA MARCHA PARA SATANÁS

Nada. Isso mesmo, não posso achar nada sobre algo que nem vi ainda, e que só está na esfera dos anúncios, propagandas e boatos. Mas, tudo bem, eis algumas considerações:

1 - A princípio não vejo nada novo. Porém, qual o problema de uma marcha para o gramulhão, visto que em I Jo 5.19 diz que "o mundo jaz no maligno” (ou “sob o poder do maligno”, na versão NVI)? Faz parte do jogo, das tramas do capeta.

2 – Ao invés de ocupar tempo se preocupando com um movimento bobo, que tal dedicar tempo em orar pelas nações, povos não alcançados e demais segmentos não alcançados pelo Evangelho em nossa sociedade, etc. (I Tm 2.1-4).

3 – Há quase dois mil anos a Bíblia diz que nossa luta é contra os poderes tenebrosos, demoníacos. Se você começou a orar combatendo o diabo depois que soube da marchinha do coisa ruim, aí sim, acho que está meio atrasadinho, não acha? Leia Efésios 6.12-18)

4 – Como a Bíblia faz falta na vida dos crentes, não é? Sentir-se ameaçado pela marcha do cão é sinal de que não leu, se esqueceu ou que nunca entendeu que contra a igreja “as portas do inferno não prevalecerão” (Mt 6.18). Além disso, desde o início é a Igreja quem segue em marcha triunfante contra o reino das trevas, não o contrário.

5 – O que tem de chamadas em mídias sociais para orar por causa da marcha do capiroto não é brincadeira! Agora, e quando passar esse evento, a tal marcha do belzebu? Será que o povo vai continuar orando? Ou será que vai continuar na mesma vidinha oca, apática, sem devocional e sem intimidade com o Todo Poderoso?

6 – Uma reclamação: lamento que muitos dos mesmos cristãos que ficam furiosos com a marcha do chifrudo não se indignem da mesma forma com outras marchas supostamente evangélicas, as quais escandalizam, dividem o povo de Deus e causam tantas polêmicas nocivas em nosso meio.

7 – Por último, cá entre nós: Tenho muito mais coisas para fazer e muitos outros motivos para me preocupar do que me distrair com a marchinha do tinhoso. Deixem seus adeptos marcharem, pularem, xingarem, provocarem e fazerem o que quiserem. São próprias deles essas coisas. Minha certeza está na Palavra de Deus, e o que leio é que o acusador já foi julgado e condenado; que tem pouco tempo e que logo será “... lançado no lago de fogo e enxofre, onde estão a besta e o falso profeta; e de dia e de noite serão atormentados para todo o sempre.”. Igualmente seus seguidores vão ter muito tempo para “marcharem” não PARA ou POR satanás, mas COM o próprio enganador pela eternidade: “E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo.” (João 16.11; Ap 12.12; 20.10, 15).

Um abraço a todos.

pr Aécio

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

POR QUE OS MUÇULMANOS NOS ODEIAM?


 

BY: Philip Yancey
FONTE: MISSÃO EVANGÉLICA ÁRABE

Durante mais de uma década, os norte-americanos têm assistido pela televisão a turbas de muçulmanos clamando, aos berros, “Morte ao Grande Satã!” e queimando nossos presidentes em efígie. A geografia dos protestos muda — primeiro o Irã e a Líbia, depois o Líbano e, por último, o Iraque e a Argélia —, mas o zelo desses muçulmanos não. Alguns desses fanáticos religiosos nutrem verdadeiro desprezo por nós.
A maioria dos norte-americanos não sabe como lidar com essas circunstâncias. Fazemo-nos passar por um povo amigável, que não deixa de sorrir e sempre estende a mão. Nossos líderes políticos parecem mais tios simpáticos do que tiranos implacáveis. O rótulo de “Grande Satã” continua a ser lembrado com ressentimento, pois encaramos os Estados Unidos como uma nação cristã, muito mais devota do que, digamos, a Europa Ocidental. Pelo menos, ainda freqüentamos a igreja. Como alguém pode nos chamar de abomináveis ou de pagãos? 

Muitos historiadores prevêem uma nova grande divisão entre as duas maiores religiões do mundo: o cristianismo e o islamismo. Nos últimos tempos, ficamos tão acostumados com a polaridade entre o comunismo e o capitalismo que nos esquecemos de que o mundo ocidental um dia esteve obcecado pela polaridade religiosa. Convém desenvolver a compreensão mútua para que não mergulhemos em um novo conflito de 800 anos de duração. 

A maioria das críticas islâmicas ao Ocidente parece girar em torno da ultrapassada palavra materialismo. Quando ela descreve a busca de riquezas e de comodidades trazidas pelo consumo, poucas nações árabes desaprovam: graças à receita gerada pelo petróleo, o Golfo Pérsico é a região mais rica do mundo. Mas o materialismo refere-se a uma abordagem filosófica, uma crença de que a vida humana consiste principalmente (ou exclusivamente) no que acontece aqui e agora no mundo material. 

Os discípulos do Islã tendem a nos ver como obsessivamente preocupados com a vida, não com a eternidade por vir. Uma das razões de Saddam Hussein apostar em uma invasão do Kuwait foi o fato de duvidar de que o Ocidente, particularmente os Estados Unidos, estivesse disposto a sacrificar milhares de vidas. Por outro lado, a guerra entre Irã e Iraque já havia provado que centenas de milhares de fiéis muçulmanos morreriam de bom grado em sinal de “glorioso sacrifício” diante da promessa de uma passagem instantânea para o paraíso. 

Em uma das grandes ironias da História, o Islã decidiu atrair para si postura de mártir. Os primeiros cristãos prevaleceram contra Roma porque escolheram as recompensas eternas, não a mera sobrevivência física. O sangue dos mártires foi a semente da igreja. Hoje, pouco se ouve falar de recompensas eternas no Ocidente, enquanto muito comentadas são as técnicas destinadas a manter a morte a distância. Os jovens árabes que estudam nos Estados Unidos saem impressionados, e geralmente escandalizados, com o tanto de energia que investimos na vida física. Examine o que se vende em uma banca de jornais local e conte os títulos de periódicos dedicados a musculação, dieta, moda e mulheres nuas — todos eles símbolos da importância dada às coisas materiais. 

Puritanismo é outra palavra cristã adotada pelas sociedades islâmicas. Durante a Guerra do Golfo Pérsico, pela primeira vez nos recentes anais da História, os soldados norte-americanos tiveram de passar sem álcool e sem Playboy, em deferência ao rigoroso código islâmico na Arábia Saudita. Poucos percebiam que a diferença de padrões morais entre o Islã e o Ocidente é de natureza filosófica, não apenas cultural.
Ao definir moralidade, a sociedade norte-americana tende a aplicar o princípio do resultado final: “Está prejudicando alguém?” A pornografia, portanto, é legal, desde que não envolva violência explícita ou assédio a menores. Você pode embebedar-se legalmente, desde que não quebre a janela do vizinho nem dirija seu carro embriagado, colocando em perigo a segurança dos outros. A violência na televisão é permitida, porque todos sabem que os personagens estão apenas representando. 

Esse referencial de moralidade trai o nosso materialismo implícito. Enquanto definimos prejuízo no aspecto mais físico do termo, as sociedades islâmicas abordam a questão de um ponto de vista mais espiritual. Nesse sentido mais profundo, o que poderia ser mais prejudicial do que o divórcio, digamos, ou a pornografia, ou a violência como forma de entretenimento, ou até mesmo a descrição cínica do mal banalizado em um programa de televisão como Melrose Place? A partir dessa perspectiva, os Estados Unidos passaram a receber a reputação de “Grande Satã”. 

O mesmo materialismo se faz sentir em nossos métodos preferidos de punição. Os norte-americanos se escandalizam com a “brutalidade” islâmica, como as decapitações, linchamentos em público e amputação das mãos dos ladrões. “Como podem ser tão cruéis?”, perguntamo-nos. Mas trancafiamos adolescentes em celas lotadas de criminosos infames; será que, em algum momento, ponderamos o que acontece com suas almas? “Não tenham medo dos que matam o corpo, mas não podem matar a alma”, advertiu Jesus. E mais: “É melhor perder uma parte do seu corpo do que ser todo ele lançado no inferno”. 

O escritor italiano Umberto Eco (O Nome da Rosa; O Pêndulo de Foucault) escreveu um fascinante relato de uma viagem pela América intitulado Travels in Hyperreality (Viagem pela Hiper-realidade). Ele também retornou impressionado com o nosso materialismo básico. Observou que os norte-americanos chegam até a conferir substância física aos seus mitos. Os antigos gregos homenageavam seus heróis com música e poesia em torno de uma fogueira; os norte-americanos trocam apertos de mão com os seus, na Disneylândia, representados por pessoas caracterizadas em célebres personagens com fantasias de veludo e algodão.
A programação religiosa veiculada pela televisão intrigava Eco: “Se acompanhar os programas religiosos que a televisão leva ao ar aos domingos, você passa a compreender que Deus só pode ser sentido em forma de natureza, carne, energia e imagem tangível. E como nenhum pregador ousa nos mostrar Deus sob a forma de um boneco barbudo, ou como um robô da Disneylândia, Deus só pode ser encontrado em forma de força natural, alegria, cura, juventude, saúde e progresso econômico.” Onde está o mysterium tremendum, perguntava-se Eco; onde está o Deus sagrado, misterioso e inefável? 

Confesso que, das grandes religiões do mundo, o Islã é a que tenho mais dificuldade de compreender e de admirar. Não acho sua doutrina convincente e considero seu fanatismo aterrorizante. Entretanto, as questões levantadas pelo Islã deveriam incomodar os cristãos aqui no Ocidente. Acima de tudo, o Islã cultiva a crença em um Deus sagrado e misterioso, além de nutrir profunda fé em uma vida espiritual e imortal, não apenas em uma existência material e finita. Nós, “infiéis”, temos algumas lições a aprender.