
Já se passaram mais de vinte anos e “Aécio tinha razão...”! O negócio fede e está piorando!
Hoje pastor, mas procurando conservar a duras penas e com muito esforço o que considero ser o fio que me mantém preso ao compromisso moral e espiritual da vida cristã: a simplicidade do Evangelho de Jesus Cristo.
Disse a duras penas, pois pensar diferente e protestar contra o que os hiper pregadores dos hipermercados da fé pregam é ser taxado de intolerante, grosseiro ou alguém que não tem amor pelos irmãos!
Para se ter uma idéia, a irracionalização (lembre-se que já foi dito que “fé sem razão é superstição”) e a alienação a que muitos de nossos irmãos são submetidos por certos pregadores chega às raias da loucura, da insanidade! Coisas que só poderiam ser explicadas se comparadas ao fanatismo típicos de religiões e seitas extremistas, estão sendo observadas no meio evangélico, e crescendo a passos largos!
Veja, por exemplo, a catarse e o poder hipnótico provocados por pregadores messiânicos, cantores e bandas gospel, além de outras figuras conhecidas entre nós. Perceba que os que eles falam é lei e o que fazem se torna regra, padrão!
Observe também os novos movimentos iniciados sob a mais variadas alegações, bandeiras e clamores por pseudo reformas, alavancados por homens e mulheres vaidosos, rebeldes e megalomaníacos – são cegos, guiando outros cegos.
Como é fácil enganar um crente hoje em dia! Basta colocar um galão de água mineral de águas nas costas e subir um morro para obter a admiração e a credibilidade de pessoas das mais diferentes classes sociais e níveis culturais. Basta ficar rico às custas da manipulação das massas e do empresariamento da crença alheia, alegando que isto é fruto da prosperidade divina para obter o grau de bispo, apóstolo, etc. Basta inventar uma teologia nova, baseada em textos fora do contexto e sair por aí repleto de pretextos, berrando aos quatro ventos o que a Bíblia jamais disse, o que Deus nunca prometeu e o que Jesus jamais idealizou para Sua Igreja!
Como é fácil ludibriar um irmãozinho na fé. Solte a voz, cante um “mantra” gospel nas mais altas notas musicais, repita várias vezes o mesmo refrão e terás um admirador fanático, um fã ardoroso! Aliás, pra que se preocupar com santidade, se o que vale hoje em dia é a imagem, a voz e a performance diante das câmeras?!
Como é fácil convencer uma pessoa a adquirir um carnezinho “sagrado” (profano até o último) para manter programas no ar que mais causam polêmicas, dúvidas, escândalos e ridicularização ao Evangelho!
Como é fácil olhar para os milhões e milhões de crentes espalhados por todo nosso país, que abarrotam os templos faraônicos e dizer: “É um avivamento!”. Mesmo sabendo que aqueles templos são muitas vezes erigidos com o mesmo espírito do Nabucodonozor * e que uma parte considerável daquelas pessoas não estão ali atraídas por uma vida de santidade, ou em busca de um compromisso com o discipulado e muito menos desejosas por uma vida de entrega e serviço cristãos: Eles querem a benção... O Abençoador só não serve!
Finalmente, há poucas décadas nosso país tinha poucos crentes, logo, a fé evangélica não possuía tanta expressividade. Hoje, para muitos, o Brasil pode estar vivendo uma explosão de fé. Concordo e celebro com restrições. Queira Deus que possamos encontrar um ponto de equilíbrio. Nem pouca fé, nem muita fé, nem fé demais... Apenas fé! É o suficiente!
*(Leia Daniel 4.30)
- pr Aécio
Nenhum comentário:
Postar um comentário